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Pedro Cordeiro Ferreira é coautor do livro “Psicologia para não Psicólogos” e professor convidado no INDEG-ISCTE Executive Education. À data desta conversa, desempenhava funções como diretor comercial da Coresa.
Licenciado em Gestão pelo ISCTE, iniciou a sua carreira profissional em consultoria, ingressando posteriormente na Henkel, onde trabalhou nas áreas de Marketing e Vendas.
Com mais de 20 anos de experiência no setor comercial, convidámo-lo a refletir sobre a importância da comunicação na estratégia comercial e na relação entre marcas, equipas e clientes.
De que forma pode a comunicação corporativa facilitar a estratégia comercial?
A comunicação corporativa é a voz da empresa, tanto para o exterior como para o seu interior. Nesse sentido, tem um enorme impacto na estratégia comercial.
Para o exterior, é um veículo gerador de credibilidade e notoriedade para a empresa e para as suas marcas. Internamente, facilita o alinhamento entre as diferentes partes e ajuda a enraizar a cultura da organização.
Marcas credíveis e equipas motivadas, eficazes e ágeis conduzem a resultados excecionais.
A rede de vendas é influenciada pelos resultados da comunicação das marcas, seja através da assessoria de imprensa ou dos níveis de envolvimento nas redes sociais?
Acredito que o sucesso dos resultados começa dentro de casa. Uma equipa comercial que não esteja convencida não consegue convencer ninguém.
O plano de comunicação das marcas, seja above ou below the line, constitui um forte argumento comercial e, nesse sentido, uma fonte de motivação para as equipas comerciais, tendo em conta os resultados que provoca nos clientes diretos e nos consumidores finais.
Contudo, para ser eficaz, precisa de ser entendido por todos como coerente com a estratégia das marcas e planeado antecipadamente entre os vários departamentos, como o Marketing, o Comercial e o Aprovisionamento. É aqui que muitas empresas falham.
Quando defines uma estratégia comercial, tens a preocupação de garantir o suporte da estratégia de comunicação? Se sim, a que níveis?
Sem dúvida. No setor dos bens de grande consumo, tal como em muitos outros mercados, a ligação entre a comunicação dentro do ponto de venda, onde se concretiza a compra, e a comunicação fora da loja, onde se conquista o cliente e se influencia a decisão, é determinante para o sucesso dos resultados.
Por isso, durante o planeamento operacional da estratégia comercial, é essencial coordenar as atividades comerciais, como promoções e visibilidade adicional, com as atividades de comunicação dentro e fora do ponto de venda.
À data desta conversa, a Bom Petisco patrocinava a Liga MEO Surf e uma das etapas tinha o nome da marca. Durante o evento, a marca era ativada em diferentes momentos e canais, incluindo televisão, redes sociais e o próprio local.
Do ponto de vista comercial, as equipas podiam preparar este momento de diferentes formas, potenciando o investimento realizado em comunicação. Podiam negociar espaços adicionais nas lojas da região, criar campanhas promocionais com ofertas relacionadas com o evento, distribuir vales de desconto no local ou desenvolver campanhas especiais na loja online.
É através da articulação destes investimentos que se alcançam melhores retornos.
Na comunicação com o cliente ou consumidor, quais são as principais condições para reforçar eficazmente a estratégia comercial?
A principal condição é conhecer profundamente o cliente ou shopper: quem é, como compra, o que o leva a decidir entre marcas, quanto compra e qual é a imagem que tem da categoria e das respetivas marcas.
A capacidade de adaptar a comunicação a esse conhecimento é essencial para a transformar numa ferramenta eficaz da estratégia comercial.
Consideras que as marcas que operam em Portugal conseguem equilibrar adequadamente as estratégias comercial e de comunicação?
Portugal tem um tecido empresarial fortemente composto por micronegócios, muitos dos quais enfrentam limitações financeiras e lacunas ao nível da gestão e da liderança.
É, por isso, natural que ainda exista muito trabalho a fazer na ligação e no equilíbrio entre as estratégias comercial e de comunicação.
A formação e a gestão adequada dos novos canais de comunicação e comercialização, hoje muito mais acessíveis do que os meios tradicionais, deverão constituir um ponto de partida para garantir esse equilíbrio no futuro.
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